terça-feira, 20 de outubro de 2015

Maracatu Abayomi, eu vi e sempre vou querer ver e ouvir

  Fomos parar em Bauru, meio que perdidos entre canaviais e prédios eis que surge o MARACATU
Alberto Pereira e Aline Paes
 Abayomi é o primeiro grupo de Maracatu de Baque Virado em Bauru, interior paulista. Foi fundado em agosto de 2014 numa oficina de construção de alfaias, num desejo de Alberto Pereira, pernambucano de Afogados da Ingazeira, de matar as saudades de sua terra natal. 
Após a oficina, interessados e pesquisadores desta rica manifestação se uniram a Alberto e passaram a se encontrar para ensaios, ainda sem contato algum com as Nações de Maracatu de Recife, recebendo inclusive o apelido carinhoso de Maracatu Bebê devido ao processo do nascer e engatinhar em que se encontrava naquele momento.
A sede do grupo passa a ser a Casa da Capoeira, local onde Alberto é proprietário e ministra aulas de capoeira. Entretanto, sente-se a necessidade de se aprofundar mais nos conhecimentos e saem de “Casa” à procura de ensinamentos que venham direto da fonte:
Em outubro de 2014, Bruna Leme, Júlia Antunes, Isabela Santili e Alberto Pereira tem o primeiro contato com uma Nação de Maracatu de Recife: eles se deslocam até Piracicaba-SP e participam de uma oficina com Pitoco de Airá, da Nação Estrela Brilhante junto com o grupo Porto Maracatu, da cidade.
O mês de novembro de 2014 seguiu com muita intensidade e foi fundamental no destino do grupo que se iniciava em Bauru: Ainda com o apelido de Maracatu Bebê, recebe em Bauru o batuqueiro Rumenig Dantas da Nação de Maracatu Porto Rico de Recife e assim, estabelecem contato com as duas Nações.
Após a vinda de Rumenig à Bauru, chega a vez de Andresa Ugaya e Michele Távora pegarem a estrada em busca de novos conhecimentos sobre o Maracatu de Baque Virado. Elas participam do Festival Percussivo em São José do Rio Preto e criaram laços com vários grupos de Maracatu do interior paulista, como Pedra de Raio, Navegante, Maracatucá e Baque das Águas.
Ainda no mês de novembro, por meio do projeto Saravah, que valoriza e reconhece a cultura negra na formação da sociedade brasileira, sob coordenação e organização de Andresa Ugaya e Isabela Santilli,com apoio da Unesp Bauru, o grupo recebe Pitoco de Airá, batuqueiro da Nação Estrela Brilhante do Recife para um fim de semana de oficinas gratuitas, em Bauru.
No mesmo fim de semana, Michele Távora participa da oficina com Rumenig Dantas da Nação de Maracatu Porto Rico, que acontece em Londrina-PR,com o grupo de Maracatu Semente de Angola.
Em Dezembro de 2014, Rumenig Dantas retorna a Bauru com mais vivências, e o grupo Maracatu Bebê vai se consolidando, deixando de engatinhar, pois começa a contar com a experiência, fundamentos, axé e amor desses dois batuqueiros de Recife e do apoio carinhoso de outros grupos.
No meses de março e abril de 2015 Rumenig Dantas aporta mais uma vez em Bauru com seu Santa Maria. Ele chega para vivências intensas com o grupo e todos os interessados da cidade e região. E mergulhados em litros de cola, madeira, couro, músicas, cuscuz e muito aprendizados, constroem novas alfaias, e o Maracatu Bebê é batizado numa reunião do grupo com o batuqueiro na Casa da Capoeira: Maracatu Abayomi.
De origem Iorubá, Abay quer dizer encontro e Omi precioso, significando nascido para trazer felicidade, ou alegria. E a vivência com o Maracatu tem sido assim: reencontro com as nossas raízes ancestrais, repleto de aprendizados, sorrisos e muito asè. Omi também quer dizer água, em Iorubá. E existe encontro mais precioso que o das águas, quando mar e rio se encontram? É a força dos orixás abençoando! Abayomi refere-se, também, às bonecas de pano, feitas pelas escravas para suas crianças brincarem nos Navios Negreiros. A conexão com o Maracatu grita novamente: Boneca de pano é Calunga (bonecas trazidas de Angola pelos escravos para o Nordeste brasileiro e que fazem parte do Cortejo do Maracatu Nação, carregando o Axé dos Orixás).
Em 4 de abril de 2015, Bauru presencia com muita alegria seu primeiro Arrastão de Maracatu de Baque Virado, no Calçadão da Batista. Contam com o axé de integrantes de outros grupos que compõem o baque como: Semente de Angola, Pedra de Raio, Navegante, Mukumby e Quiloa. Assim, o Maracatu Abayomi, de Bauru-SP, nasceu e cresce com um profundo respeito à ancestralidade e à tradição oral em que se insere neste momento.
Sustentando a vida, a espiritualidade e a vontade de resgatar o Maracatu na cidade. Abayomi se constrói como uma família, e depois dessa longa trajetória definiu-se filho da Nação de Maracatu Porto Rico: o coração de verde e vermelho tingiu-se de vez e agora bate junto com o baque das ondas verdes do mar.





Artesanal

 E para não passar batido, já que vale tudo aqui quando o assunto é cultura e bicicleta. É notório o uso e a paixão pela bicicleta por vários integrantes do grupo, só alegria né... Um grande abraço a todos do grupo Abayomi que receberam o Ciclocultura de braços mais que abertos! Valeu!
Detalhe da Bike de bambú feita por um dos integrantes, assunto para o futuro.


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